Da capitá federá
Ou de onde quer que eu esteja

20.2.04


Há solução para o Brasil?

Gente, sempre me consideraram uma pessoa que pensa muito positivo, inclusive um pouco mais da conta. Mas esta quinta-feira estive a ponto de chorar no meio da aula. Estamos estudando Sistema Financeiro Internacional e estudávamos a situação dos países em desenvolvimento, também conhecidos como o Terceiro Mundo, ou seja, nós, os ¿Sudacas¿, como as pessoas se referem aqui aos sul-americanos, e muitos outros.

O professor explicava a situação: balança comercial desfavorável não é um problema em si, desde que a balança de conta corrente, que inclui as transações financeiras, esteja positiva. Bom, mas mesmo que ela não esteja positiva, é possível conseguir dinheiro para o país poder pagar suas dívidas porque os investidores estrangeiros colocam dinheiro nesses países.

Mas para quê necessitamos de tanto dinheiro? Lhes digo, de maneira bem simples: para pagar a dívida externa que temos com o Fundo Monetário Internacional e outros fundos e bancos, além de pessoas físicas e jurídicas de toda sorte que compraram títulos da nossa dívida e para quem pagamos juros, muitos juros. Enfim, o caos.

Meu desespero começa no momento em que os cerca de 30 alunos presentes (os outros 20 faltaram para fazer o trabalho da faculdade) percebem que praticamente não há solução para o caos instituído. Os investidores são os únicos que podem fazer com que os ingressos sejam maiores que os gastos. E mesmo assim, estão no país porque querem produzir (bens ou capitais, tanto faz) para enviar dindin para seus países. Pior no caso dos investidores em bolsas, que podem sair muito rápido de um país para o outro. Ou seja, estamos destinados à dependência e à insegurança para sempre?

A primeira coisa que me veio à mente é: a esquerda de verdade brasileira tem mais razão do que eu podia supor. Temos mesmo que boicotar o pagamento da dívida. E como agora eu sou internacional, já organizei na minha cabeça - olhando para os meus companheiros de classe - uma solução: juntamos todos os países de Terceiro Mundo da América Latina, Oriente Médio, África e Leste Europeu, e quem conseguirmos agregar do Extremo Oriente, e dizemos, como na música: NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA!!!!

Bom, dada a crise, me virei para meu amigo Gustavo, um marxista declarado, equatoriano, para ver se encontrávamos alguma solução comum para nosso desespero. Levanto a mão, para tentar arrancar algo de positivo do professor. A resposta é uma desilusão, porque inclusive as pessoas do próprio país estão mandando dinheiro para o exterior, para os paraísos fiscais, para a Suíça. Mas isso me deu uma idéia.

Temos que convencer a todos os brasileiros a comprar ações em bolsas. A investir no Brasil. Assim, não ficamos para sempre nas mãos dos gringos (ou ¿quiris¿, em espanhol). E me lembrei do Lula. É, acho que essa parte de empresário comprometido com o Brasil, de uma certa maneira, estamos chegando lá. Falta a parte dos radicais. Temos que executar o plebiscito que fizemos, quando eu ainda era uma estudante de graduação. Antes que eu chore na aula. Estou com mais esperanças agora¿ Posso até voltar para a minha rotina.

PS - Estamos pensando em fazer uma camiseta ¿Sou Sudaca, e daí?¿, pra ver se conseguimos diminuir o preconceito contra os imigrantes sul-americanos. Vai ser legal¿
PS2 - é carnaval! Feliz ano novo, Brasil!!!



16.2.04


Apelidos e sobrenomes

Esta poderia ser uma história, mais uma, sobre a confusão de palavras. Sobrenome, em espanhol, não significa nada. A palavra que eles usam para os nomes de família é apellido. E para apelido, apodo. Feio, né? Mas meu ojetivo, hoje, não é dar aulas de espanhol para todas as pessoas queridas que têm me acompanhado a distância. É, sim, esclarecer uma confusão que eu fiz, mandando um e-mail para alguns muitos amigos.

Para quem ainda não sabe, eu vou ao Brasil em abril, chego dia 17. Pois bem, mandava um e-mail para alguns muitos amigos contando isso e outras coisas da minha vida aqui, decisões que terei que tomar em breve e essas coisas. Entre elas, contava que o motivo principal da minha viagem era o casamento dos meus amigos Cacá e João. Acho que 90% dos meus amigos de São Paulo entenderam a que eu me referia. O problema é que eles não são a única Cacá e o único João que eu conheço.

Mandei o e-mail para uma lista de amigos de todo o Brasil. E havia outra Cacá na lista. Eu já sabia que tinha duas amigas Cacá (na verdade, tenho mais, e muitas delas assinam KK), mas não prestei atenção a este importante detalhe na hora de escrever o e-mail. Depois de toda a lista ficar chocada, a Cacá Vieira, de Brasília, respondeu: ¿Lidia, está louca? Eu só caso em outubro!¿

Veja lá se isso é jeito de ficar sabendo do casamento de uma amiga. Ainda mais, para os meus queridos amigos da gestão Puxando a Linha do Horizonte (¿Puxalinha¿) da Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, para quem não conhece), teria sido uma desfeita, né? Por que só eu teria sido convidada? Que estranho. E de mais a mais, ela se casa com o Ademário, não com o João. Enfim, o caos!!!

Bom, pelo menos a gente já está sabendo. E eu tenho duas amigas KK que se casam este ano. Legal. Mas com isso tudo, eu aprendi uma lição. Agora, sempre identifico as pessoas por nome e sobrenome. E as que chamar por apelido, terão seu sobrenome mais conhecido que o nome. KK Pinheiro e KK Vieira. Cebola Fernandes e Alf da Silva. Vai ser assim, a partir de agora.

Curtas
# Estão sentindo a minha falta? Estou estudando como uma condenada! Tive prova esta sexta e tenho um trabalho de 30 páginas pra escrever pra quinta. Pelo menos essa segunda eu não tenho aulas.

# Falei com o Tonho ontem, vamos ver se a gente marca uma balada na semana que eu estiver aí. Uma coisa é certa. Sábado 24 é casamento da KK Pinheiro e do João Filipe e segunda 19 estarei no Samba da Vela.

# Este sábado foi Valentine´s, ou Día de San Valentín. E eu e o Dani fizemos 6 meses!!!

# Mais uma para os amigos do movimento: encontrei Sisse Fontes, a baiana quase alagoana, este sábado aqui em Madrid. Linda e muitos quilos mais magra. Foi muito divertido encontrar uma amiga do Brasil. Aqui estamos mais perto que em nossa terra: 8 horas de distância, contra 45!!! Agora a meta é nos encontrarmos mais vezes, junto com Targino (Ricardo Targino, mineiro, também da luta!)



5.2.04


Conheci o Aznar!!!

Em bom espanhol, "seguro que hay" gente mais interessante para conhecer nesta vida. Mas foi a primeira vez que conheci alguém no exercício do cargo de presidente. Junto com o primeiro ministro belga, que tem um nome bem complicado, inclusive. Numa coletiva de imprensa. O Aznar é baixinho e sem sal, mas é o mister president, né? Foi divertido!

A visita ao Palácio La Moncloa, na quinta passada, era parte do estágio de 10 dias que eu fiz na Agência Efe, que começou na segunda passada e terminou ontem. Por isso é que eu estava tão desaparecida do mundo virtual! Nem falar no telefone eu consegui direito nos últimos tempos. Mas foi por uma boa causa.

Conheci tudo de como funciona uma agência de notícias por dentro e hoje dou mais valor à idéia do Eugênio Bucci, presidente da Radiobras, de fazer uma agência pública de notícias no/para o Brasil. Quando eu falava pras pessoas daqui que os jornais brasileiros rechaçavam a idéia de uma agência pública de notícias, todo mundo - de espanhóis a norte-americanos, a bolivianos e russos - ficava perplexo: como nao tem uma agência de notícias pública no Brasil??? Enfim, nao tem. e agora eu quero cada vez mais que tenha...

A agência aqui dá prejuízo, mas a sociedade tem orgulho de pagar essa conta, porque sabe da importância da informação pública e de qualidade. A agência tem muita moral, porque é quem cobre de maneira mais completa a maioria dos temas nacionais e além disso é uma agência internacional, preocupada em transmitir informação de qualidade de interesse dos espanhóis.

Bom, além disso, tentei cavar um pouco mais a oportunidade de ir pro Brasil no verão europeu, fazer estágio. Seria ótimo, de verdade. eu adoraria.

Agora, outras novidades:
# Semana passada fiz 15 sócios na Cruz roja. Muito bom! Mas agora nesta semana estou na pindaíba. Fala sério.
# A partir de 2a feira terei um computador. Estou super feliz por isso! Agora só me falta a internet...
# Tenho um trabalho de 30 páginas para fazer. De história das relaçoes internacionais.
# Quem quiser meu trab das relacoes Brasil Espanha no governo Lula, em espanhol, inscriçoes neste guichê. Acho que ficou bom!
# Talvez eu consiga um outro trabalho, em um restaurante. Façam suas oraçoes.
# Saiu minha identidade aqui, finalmente! Agora fica mais fácil encontrar trabalho!