Da capitá federá
Ou de onde quer que eu esteja

30.6.04


Verão e infância

No inverno, eu pensava que não havia crianças nessa cidade. Porque não tinha nenhuma na rua!!!

Finalmente, vejo as crianças de Madrid. E tem muitas!!! Elas estão em todos os parques, praças e piscinas. Pulando, brincando, em grupos, como todas as crianças no Brasil. Aqui, antes, eu só via crianças no colégio onde tinha a residência em que eu morava. Agora, elas estão em todas as partes.

Inclusive na televisão. Quase não tem programas de TV pros "miúdos", mas de domingo tem. E o mais interessante é que são desenhos mais variados, que fogem do eixo Japão-Estados Unidos -- outro dia vi um desenho da França!

Novo status quo
A Ana minha amiga da casa já foi embora. E já temos outra pessoa morando com a gente: a Cicibel, amiga minha e da Bia do Master. Ela fica até agosto aqui em casa, depois vai pra República Dominicana.
Fim de semana que vem a Mika (do Rio, da Enecos) vem me visitar.
Amanhã começa meu estágio na agência EFE - eeeeeeeeeeee!!!
Está tudo bem no trabalho. Estou aprendendo muitos nomes e sobrenomes de latino-americanos, batendo papo com brasileiros divertidos e garantindo meu sustento - já tive até salário!

Beijocas e saudades!!!



24.6.04


Espírito de espanhol

Gente, eu amo a Espanha e os espanhóis, mas eles são tão diretos e duros no falar que às vezes dói na alma.
E defendem o futebol brasileiro como se fosse o do país deles...
Dêem uma olhada nessa coluna da Folha, especialmente a partir do subtítulo "Se manca, xará!". É um exemplo perfeito disso que eu estou falando! Morri de rir!



23.6.04


Brizola

Estou trabalhando de teleoperadora, já. Na verdade, estou num treinamento que pode chegar a durar 15 dias. Estou na empresa Universal de Envios, que manda dinheiro pros países latino-americanos. Fui contratada para falar português, tudo o que eu queria quando cheguei aqui!!!

O fato é que o Rafael, meu colega brasileiro do treinamento, só soube hoje da morte do Brizolão. E aqui em casa hoje, também estávamos comentando disso. Em minha família várias pessoas o odeiam - inclusive minha avó, que fez aniversário ontem, junto com o Rodrigo Anjinho. Eu não o odiava, sei lá. Era uma figura folclórica, eu achava engraçado.

Meu amigo Ricardo Negrão me escreveu dizendo que imaginou que se a gente tivesse ainda no Terra, a roubada de cobrir esse tema ia ser nossa. Eu nem tinha pensado nisso, mas depois lembrei da gente nas eleições. Inclusive falando do Brizola e o medo da fraude. Engraçado.

Enfim, tinha uma professora que dizia que o chato nunca morre. É um pouco isso. O cara tinha defeitos mas também tinha qualidades.

PS # Não vamos mais ter que mudar de casa!!! Eeeeeeeee!



21.6.04


Software livre x Microsoft

Bizarro. O Sérgio Amadeu, que está implementando o uso do software livre no governo do Lulalá, está sendo processado pera Microsoft.
Vejam na petição que explica melhor: clique aqui e de preferência aproveite para assinar, porque é mto bizarro vc ser contra a ampliação do acesso ao mundo digital!



18.6.04


Entregar pra Deus dá certo

Gente, agora tá tudo fluindo melhor... Hoje tomei mais uma porta na cara: fui fazer meu seguro, mas quem tinha que fazer era a secretaria do Master. Ou seja, perder tempo de novo. Bom, mas a vida é assim.
Fui na agência EFE, conversei com o editor, que me animou a fazer o estágio à tarde. Ótimo, porque poucas horas depois me saiu um trabalho de teleoperadora.
Esses são os resultados de entregar pra Deus. Agora provavelmente nem vou mais precisar de dindin do papai e da mamãe para pagar o master...
Vamos ver agora se conseguimos negociar para não termos que mudar de apê, seria ótimo!!!
Obrigada pelas orações, continuem firmes e fortes aí!!!
Beijos



17.6.04


Sem título

É fácil fazer título pro blog. Mais fácil que pra reportagens. Parece que sai naturalmente. Mas hoje eu não quero fazer um título. Porque minha vida está assim, um pouco sem nota.
Uma loucura.
Para quem não sabe, saí do restaurante já na quinta-feira. Um dos donos me tratava muito mal, e como eu não sou imigrante ilegal que precisa ficar implorando por um trabalho, caí fora. Fui pra Granada.
Cheguei e a Bia e o Rafa me contam que vamos ter que nos mudar porque a dona quer o apê. Bom, agora já estamos pensando em negociar isso, porque é possível convencê-la do contrário.
Hoje foi o dia mais estranho. Tinha uma entrevista às 9h da manhã, teleoperadora com português alto. Muito bem, vamos ver se me contratam. Depois, outra entrevista - fiquei no lugar 2 horas e não pude continuar porque não estava com minha identidade espanhola. Depois eu descobri que sim, estava, mas isso já era 17h.
Saí e... me chamaram para fazer estágio na Rádio Cope. Até ia conseguir conciliar os horários. Mas não posso fazer dois estágios ao mesmo tempo. Por quê? PORQUE NÃO. Na Espanha é assim, ninguém precisa te explicar nada. Você simplesmente tem que ouvir as ordens e se conformar com elas. Quaaaaaaaaase que eu pude ficar feliz!!!
Estou fazendo uma reportagem sobre layouts de supermercados. Depois de muitos nãos na cara, um moço do Mercadona disse que pode me ajudar!!! Eeeeeee! Alguém simpático nesse mundo!!!
Fiquei tão animada que fui fazer meu seguro de trabalho: o cara que faz o seguro não estava. "Bom, pelo menos posso ir na EFE conversar com o coordenador do estágio". Pelo seu horário oficial, daria tempo. Mas ele NÃO ESTAVA. ôooooooo, zica!!!
Todo mundo que falou comigo hoje soube do meu mau-humor. A Marcy soube por telefone, porque hoje nos falamos para dar-lhe parabéns com 11 dias de atraso. Fala sério! No mais, entreguei pra Deus e parei de procurar emprego, pelo menos por 1 semana.
Desafio: CRIE UM TÍTULO PARA ESSE POST (ou dê-me um conselho amigo... risos)



14.6.04


Granada, Amado

Depois de sete meses de Espanha e seis de promessas, fui visitar a família Amado em Granada. Foi muito legal. Conheci a sede da missão - que vontade de trabalhar com eles! -, a igreja, a casa, a vida desta família tão querida na nossa igreja.
E conheci Granada inteira, também, que é muuuuuuuuuuuuito linda. A Alhambra, ponto mais visitado do mundo e "por supuesto" da Espanha também, é maravilhosa. É o último castelo conquistado dos mouros e preservado por Carlos V. Tudo num, estilo árabe. Que vontade de conhecer o Marrocos!!!
Foi tudo ótimo, se não fosse pelo fato de que o ônibus da volta (de madrugada...) quebrou e atrapalhou meu soninho.
E por falar em amado... Dia dos namorados longe do Dani. E mais um aniversário de namoro hoje. Diez meses, já nos veremos.
Um beijos



11.6.04


Tourada, ¡olé!

Gente, já posso ir embora da Espanha (hihi): ontem vi uma tourada ao vivo...
Fomos eu e Ana, minha amiga companheira de república. Era a tourada que encerrava a Festa de San Isidro, a festa de Madrid.

Aqui a tourada é uma febre, como o futebol no Brasil. Vão pessoas de todas as idades - muitos idosos, mas também muitos jovens.
É um "esporte" muito cruel, especialmente para o touro: primeiro ele vem todo animado, aí um monte de toureiros ficam cansando sua beleza, com panos rosa e amarelos. São toureiros mais iniciantes, que têm como recurso esconder-se atrás de uns tapumes. Depois de muito correr pra lá e pra cá, entra um homem a cavalo e fura o dorso do touro, como se fosse a "nuca" dele, guardadas as devidas proporções.
Então entram os toureiros que vêm com mais flechinhas, todas cheias de flores, para enfiar no touro, na mesma altura. Ele fica todo sangrento, pero enfeitado.
Aí vem o toureiro de verdade, o que tem o "mantel" vermelho. Tem que dar três rondas de seis olés no touro, para cansá-lo um pouco mais. Esse é o chamado O Toureiro, com O e T maiúsculas, o que ganha as glórias quando mata bem e que recebe as vaias quando o faz mal feito. Ele é quem dá a flechada final, que faz o touro morrer.
São seis touros e três toureiros, que entram duas vezes na "pista" (não lembro como chama...)

É um evento bonito, pela pompa que envolve e pelo significado histórico que tem. Parece que você está na Idade Média - naquela época, esse evento realmente tinha um significado, era quando se matava os animais para dar aos pobres de comer. E ficam ainda uns resquícios de Idade Média, já que ontem o Rei, Sua Majestade, estava presente (sim! além da tourada, eu vi o rei!).

Mas a tourada, em si, não é exatamente o que eu possa chamar de meu esporte favorito. É muito cruel! Ou, nas palavras da Ana, uma covardia! Primeiro, porque são várias pessoas para um touro. Segundo, porque o touro é ferido para ficar em desvantagem. Terceiro, porque o cavalo também sofre - um dos de ontem levou uma chifrada que caiu e não conseguia mais levantar.

E diz a Ana, que mexe com gado no Brasil, que a carne nem fica boa de comer, porque o boi morre tão tenso que a carne fica dura.

Ah, sim! A hora em que o toureiro está dando os "olés" no touro é chamada de "Lidia de Toros". Ou seja, eu sou a mais popular da tourada. Fala sério, não podia ser de outra coisa?



10.6.04


Brasil, Portugal e o futebol

Começa hoje a Eurocopa, uma copa do mundo só pros europeus. Mas como todo bom mundial de futebol, as propagandas já começaram há bastante tempo. E apesar de o Brasil não estar na Europa, é um dos países mais citados.

A mais legal toca a música "A Copa do Mundo é Nossa", mas falando "A Copa Eurocopa é nossa" (sim, em português!), com samba - e cuíca! Adoro cuíca - , num bar bem brasileiro, com homens e mulheres - e as famosas mulatas - cantando, dançando e bebendo.
Alguém fala, já em espanhol:
- Mas o Brasil não joga na Eurocopa!
- Shhhhhh! Silêncio, senão acaba a festa!

Sim, somos sinônimo de futebol, samba, alegria. E língua portuguesa. Tanto que minha amiga portuguesa Liliana vive tendo que explicar que é o Brasil que fala português, e não o contrário. Se bem que o idioma já está tão diferente que em mais uns 500 anos já podem ser dois!



7.6.04


Cultura de bar

Acho que eu já falei que as pessoas aqui gostam muito de ir ao bar. Estou tendo a oportunidade de comprovar isso... Estou trabalhando de garçonete - bom, essa semana é de prova, mas aí estou, aprendendo tudo!

É divertido, porque eu praticamente não bebo, por isso não sei preparar nem uma Cuba Libre. Nem colocar uma cerveja. Nem carregar uma bandeja. Fala sério. Aí tem um chefe que tem paciência e me ensina, mas tem outro que só me dá bronca. Mas eu já não ligo pra esse...

O fato é que realmente, espanhol adora um bar. De manhã cedo, vão pro café. Depois, pro intervalo do trabalho. Aí vem o almoço, o intervalo da tarde, o happy hour. E tem as famílias, também. A diferença é que tem horas que só vem um dos dois, porque o outro está trabalhando.

E os grupos de amigos. Muitos, amigos de bar, simplesmente. Vou descobrindo isso quando um fulano paga a conta de quem está do outro lado do balcão. Ah! São amigos! Às vezes não, é só uma simpatia momentânea. Mas muitas vezes sim.

Estou trabalhando muito. Nove horas por dia, de segunda a sábado. É legal, principalmente para aprender. Essa semana é só de experiência, se eles gostarem de mim, me contratam depois. A ver qué tal.



2.6.04


Pólen

Estou para escrever esse post há algum tempo. Desde o início da primavera, ou melhor, desde que voltei do Brasil - isso já faz um mês.
Mas sempre tinha um motivo pra eu não escrever. Agora que eu acabei o freela que estava fazendo (comprem a Revista das Religiões de agosto!), lavei a roupa toda, arrumei a casa, pus internet, perdi o disquete com meu trabalho, achei e meu comp não lê, só me resta escrevê-lo.

Descobri o encanto e o inferno que é o pólen. É lindo, faz com que depois as árvores fiquem cheias de flores. Mas coça o nariz! E sempre está onde você tem que passar.

Eu tinha na cabeça que o pólen era uma coisa amarela, que servia pra abelha picar e dar a flor. Não me perguntem por quê eu pensava isso, mas era assim que o visualizava.

Quando de repente, em pleno calorzinho (na mesma época em que o friozinho alcançava vocês - hehe), vejo um monte de algodão esfarelado voando na faculdade. O que é isso?

A resposta - é pólen - chegou a me surpreender. Nunca pensei no pólen como uma coisa física e volumosa. Para mim, deveria aparecer, no máximo, do tamanho de um espermatozóide. Não me pergunte por que esta comparação, mas deve ser pela função reprodutiva, mesmo. É bonito. Sabe aquela flor de assoprar o algodãozinho? Então, é mais ou menos assim.

Na faculdade, como tem muitas árvores, sempre há pólen voando. Interessante. Eu sempre passo tentando pegar, mas não consigo. Que frustrante! Aliás, consigo, sim. Pego com o nariz. O pólen tem o dom de entrar no meu nariz sempre!

Queria pegar na mão uma vez, para ver como é. Como não conseguia agarrar no ar, mudei de tática: peguei de uma planta. Agora, o chão inteirinho está cheio de pólen, parece neve. Depois que eu roubei o pólen da planta, usei a cabeça mas já era tarde: se o pólen é o que leva o negocinho pra planta poder dar flor e eu tirei pólen da planta, fui burra, vai haver menos flores. Enfim, não vai fazer falta! Tinha muuuuito!!!

Bom, se você não gostou do pólen e sua história, certamente gostaria do clima que está fazendo aqui. Agora é minha vez de fazer inveja: calorzinho de 28 graus nas ruas de Madrid. E na minha casa, 18, no máximo, muito fresquinho... Quem quiser vir, já disse, está convidado!!!

PS - Desisti do telemarketing. ¡Vuelvo a buscar trabajo!