Da capitá federá
Ou de onde quer que eu esteja

30.7.04


Antes que eu me esqueça

Para os amigos que me mandaram mails e já estão p... porque eu não respondo: o blog eu escrevo do trabalho, mas aqui não posso acessar o e-mail!!!

Aparece uma maçãzinha de "proibido navegar", com a maçã representando o fruto proibido do e-mail pessoal! Risos. Sim, é isso mesmo! Depois da minha fase "e-mail numa sala de computadores, programas em outra", da faculdade daqui - não se pode trabalhar no Word e mandar e-mail ao mesmo tempo - , agora estou no universo do Hotmail e Yahoo proibidos.

Sorte que eles ainda não sabem o que é blog nem orkut no universo das proibições daqui - a Cássia, que tá la no sur, é que sempre chora porque já não pode fazer essas coisas no trampo!

Capacidade de me emocionar

Da viagem à Galícia, faltou contar minha capacidade de me emocionar, que meus amigos mais próximos conhecem muito bem.

Sou uma chica brava, fuerte, mas de vez em quando, a manteiga mais derretida que existe. Essa minha versão veio à tona na viagem de volta, enquanto o Brasil se sagrava campeão da Copa América e eu viajava de ônibus, vendo um filme de Idade Média, sonho de um plebeu virar nobre - e poder ajudar aos pobres.

Era uma mistura de Robin Hood com romance. Ou seja, me identifiquei. E chorei de soluçar vendo o filme cujo nome desconheço, porque em filme de ônibus não se passa o letreiro do final. Foi bonito. Ou talvez fosse só porque estava cansada.



29.7.04


Galícia, os galegos e a saudade



Estar na Galícia foi um pouco como estar em casa. Os galegos são um pouco portugueses, um pouco mais como a gente que os espanhóis. Talvez até mais como a gente que os portugueses. Ih, chutei! Não, disso eu não tenho provas.

Estar na Galiza me deu saudade de casa. Vontade de estar no Brasil, saudade de falar português, de pensar em português. Bom, matei um pouco a saudade, porque esbanjei de falar português - com galegos, com portugueses, com brasileiros. Ai, que saudade que eu tenho!

Saudade, aliás, é uma palavra que também existe em galego, soidade. Na definição do dicionário da TV de Galícia (TVG, se pronuncia "te-ube-gá"), em galego, é "1. Circunstancia de estar só. Sempre que podo evito a soidade. 2. Sentimento de tristeza ou melancolía causado polo recordo dun ben que se considera perdido ou pola ausencia do ser ou da cousa querida. Despois de tantos anos aínda ten soidade do seu amor.

Deu saudade da vida em família, graças à simpática família do Oscar (e por conseqüência, da Lara), sua mãe Azu, seu pai Manolo e seu irmão Alberto, com quem conversei falando uma mistura de galego, português e, de vez em quando, espanhol. Super simpáticos, me receberam super bem!!!

São tão hospitaleiros que já me convidaram pra outra casa que têm na praia, me ameaçando (risos) com um ditado que fala que quem vai a Santiago sempre volta.

Como o Dia de Santiago é também a festa nacional da Galícia, tive a oportunidade de participar da efervecência cultural desse povo que preservou sua cultura e sua língua, que por 700 anos (sim, sete séculos!) esteve na ilegalidade. Shows, debates, livros, músicas (com gaita de fole, moito bonito!), tudo em galego!!!

E a manifestação pela autodeterminação, que vocês podem ver na foto. "Máis traballo e menos Xacobeo!", diziam os manifestantes nas ruas. Falta trabalho ali, mais do que em outras partes da Espanha. Eles querem - e merecem - dar a volta por cima!!!

Homenagem especial a meus amigos galegos: Ana da Galícia, Teresa, Javier. E agora, à família do Oscar e da Lara (e da Wendy, a cachorrinha... risos)



28.7.04


Novidades em casa

Gente!!! Ganhamos uma táboa de passar roupa e uma impressora!!!
Ontem à noite, achei a táboa na rua. Minutos depois de eu chegar em casa carregando o utensílio por 5 quarteirões, chegam Bia e Rapha com a impressora doada pelo Harry e pela Lola, donos do bar onde eles trabalham.
Pra nossa casinha ser completa, só preciso de um liquidificador e uma batedeira - vocês não sabem a tragédia que foi outro dia quando eu tentei bater a clara em neve a mão. Não chegou no ponto e no dia seguinte meu braço doía mais que tudo nessa vida. Exagerei, mas doía muito, mesmo.



26.7.04


Santiago, a peregrinação e eu



Voltei hoje de Santiago de Compostela. Cheguei às 5h30 da manhã, fiz uma pequena caminhada até minha casa, coloquei a roupa para lavar e dormi um pouquinho. Quero dizer, um pouquinho mais que deveria, porque acordei na hora que deveria chegar ao trabalho. Sorte que eu moro muuuuuito perto! Mesmo assim, peguei um táxi. Cheguei 3 minutos atrasada, nada de mais.

O fim de semana foi realmente muito bom. Santiago é uma cidade super bonita, quase fiquei animada para fazer o Caminho. Mas só se for de bicicleta, porque aí não tenho que andar tanto - já me basta o que eu ando todos os dias para ir e voltar do trabalho!

Santiago de Compostela é uma cidade que surgiu ao redor de um túmulo, de São Tiago. Que impressionante, como as pessoas dão valor a essas coisas. Cheguei na véspera do dia do santo (que foi 25), junto com muuuuuuitos peregrinos. Aliás, a cidade vive para recebê-los: restaurantes e albergues são o que mais existe na cidade.

Os museus da cidade são uma aula de história sacra, de Igreja Católica, de medicina natural, de peregrinação. E o melhor de tudo é que a maioria das atrações da cidade é grátis - incluídos ótimos shows e manifestações culturais folclóricas, vi apresentações tanto dali mesmo como da América do Sul e do Marrocos.

As pessoas vêm caminhando, fazendo turismo, meditando, rezando, pagando promessa. Gostaria de fazer uma viagem dessas com pessoas que gostam de meditar, como meu pai.

Vêm entre amigos, com a família, sozinhas. Vêm crianças, adolescentes, jovens, adultos, velhinhos. Andando, de bicicleta - aí também tem os picaretas que fazem o caminho de carro, que seria minha outra opção preguiçosa.

Teve um show de fogos no sábado à noite I-M-P-R-E-S-S-I-O-N-A-N-T-E. Nem tem graça descrever. Mais de meia hora de fogos na igreja (parecia que ela ia pegar fogo) e no céu (os mais legais eram os que se multiplicavam quando as "estrelinhas" se chocavam).

Também quero contar da Galícia e dos galegos e da visita à Lara, mas vai ter que ficar pro próximo capítulo!!!



22.7.04


Churras



Num bom português brasileiro misturado, se liga no naipe do nosso churras, ou se preferir em espanhol, da nossa barbacoa!!!
Dá pra sacar o que é a churrasqueira, né?
Já estava aqui em casa há um tempão! E notem que nós temos quintal!!!!!!!!!
Isso foi uma megabalada méxico-brasil, com presença de alemães e espanhóis, misturando farofa com tortilla de guacamole (tipo pão sírio com abacate salgado e picante, pra quem não tava entendendo).
E não reparem a bagunça ao fundo!!! É nossa área de serviço (sem tanque, claro, afinal aqui as pessoas não sabem o que é isso!)
Amanhã vou a Santiago de Compostela. Ver a festa dos peregrinos e a amiga ecana Lara Silbiger.
Ya os contaré.



20.7.04


Admito que errei

É difícil reconhecer que estamos errados. Principalmente em jornalismo, onde o perdão aos leitores costuma ser pedido em pé de página -mesmo que tenha sido notícia de capa-, para que de preferência ninguém leia.

Bom, toda regra tem exceção, e eu me deparei com uma. ¡Qué suerte!

O jornal The Herald-Leader dedicou sua manchete principal da capa do dia 4 de julho a uma cobertura sobre o ex editor-chefe dizendo que o jornal foi omisso na cobertura do movimento negro na década de 50.

A prática pouco comum foi reproduzida em vários jornais do mundo, entre eles o ABC espanhol, que por sua vez o viu no New York Yimes, cujo conteúdo é de acesso restrito, por isso me abstenho de pôr link.



19.7.04


De visita



Mika Strzoda, também conhecida como Sra. Freitas (risos), passou por aqui e deixou lembranças... Isso já faz mais de uma semana, mas eu perdi a capacidade de ser totalmente online por causa... do amor, do verão, do cansaço (que aqui se escreve cansancio. q feio!).
Depois da Mika vem meu "primo" (esses de consideração que eu amo tanto e ninguém entende o que é), Rodrigo Sobral...
Essa foi minha primeira foto com câmera digital (sim!!! não resisti à tentação e comprei uma!!!). Tá sem foco, mas nóis aprendi!



12.7.04


Mercado em crise?

Acabo de ler no El País de hoje que 46,3% dos jovens recém-formados em Madrid não trabalham na sua profissão.
O dado é do VIII Estudo de Inserção Laboral dos Titulados da Universidade Carlos III de Madrid.
Impressionante.
Menos mal que aqui eles podem se sustentar trabalhando de garçom, teleoperador, vendedor, enfim, "lo que sea", e se sustentar.
Já pensou se fosse a mesma proporção no Brasil?



9.7.04


Uma nova visão dos chinos

Tenho escrito pouco no blog. Isso tem a ver com meu novo ritmo de vida, que inclui levantar às 8h para fazer o que quer que necessite de manhã, tomar banho e café e correr (às vezes literalmente) até o trabalho. Depois vou para casa, almoço, às vezes durmo a siesta espanhola, acordo e vou pro estágio. Depois chego em casa à meia noite (e meia). Tudo caminhando¿

Isso tudo tem me ensinado muito mas me deixa com muito pouco tempo para escrever. Uma das coisas marcantes é a minha nova relação com os chineses - que, aliás, muda a cada dia desde que cheguei a Madrid.

Primeiro, os chinos, como os chamamos aqui, foram a salvação da pátria. Em suas lojas, que têm de tudo, encontrei tesoura, canela em pó, coador de café, forma de bolo.

E as lojinhas mais desorganizadas que já vi em toda minha vida se converteram também em local preferido para comprar presentes para aniversários, afinal, só ali havia produtos que eu tinha condições de pagar.

E os donos dos supermercados que ficam abertos até mais tarde, meia-noite, e salvam as emergências alimentícias dos domingos famintos, que além do mais vendem cartões telefónicos para ligar a baixo custo para outros países.

Depois, eles eram os esquisitos. O único grupo populacional em Madri que nunca (eu disse NUNCA!!!) parou para saber da Cruz Vermelha e de ajudar as pessoas, nem comigo nem com as outras 30 pessoas que eu conheci naquele trabalho.

Em seguida, fui desvendando esse universo. Na capital espanhola, são conhecidos também como os ¿camas-quentes¿, porque são muitos e, ¿para economizar¿, dezenas deles moram na mesma casa e se revezam no uso das camas.

Quando fui ao Brasil, em abril, eram a potência, o exemplo económico que queremos, agora roupa chinesa é chique, todos os jornais têm correspondentes em Pequim e o chinês é o idioma do futuro.

Ai, meu Deus! Onde estão os chineses normais? Aqueles da comida gostosa de domingo, que têm uma cultura bonita, que não são nem o máximo nem a bizarrice...

Bom, esperei encontrá-los para escrever. Quando saio à noite, há chineses normais nas ruas. São jovens que passeiam, namoram, adultos cansados ou conversando alegremente, crianças que saltam, gente que se mistura com outras gentes também.

PS - Mika Strzoda, minha amiga carioca da UFRJ, está em minha casa. Em breve, fotos!!!!



2.7.04


Vida profissional na Espanha!

Ah, quem me dera eu tivesse sempre tanto trabalho como eu tive ontem!!!

Tive que editar matérias na Agência EFE. Pego matérias da América Latina e as transformo em adequadas aos jornais espanhóis - tiro as informações que faltam, contextualizo o que seja necessário, enfim, essas coisas. Além de corrigir os erros de espanhol (uiuiui! justo eu!!! mas até agora está dando certo).

Me deu inveja do ritmo em que eles trabalham. Uma das pessoas que estava ao meu lado saiu umas 3 vezes em 3 horas. Uma dessas vezes, ficou 15 minutos fora. Eu, no meu horário, li dois jornais inteiros - El País e El Mundo. E vi um pouco da vitória da Grécia sobre a República Tcheca (aliás, ô Eurocopa da Zebra, hein? Estamos por Felipão!!!).

Entrei às 18h em ponto e saí à 0h em ponto. Lá, todo mundo faz isso, sem parecer picaretagem nem ninguém te olhar feio. E tem ar condicionado, uma delícia!!!

Bjocas