Da capitá federá
Ou de onde quer que eu esteja

30.11.04


Visitas-relâmpago

Por falar em globalizaçao, parece que realmente o mundo ficou menor do ano passado pra este. Esta semana, tivemos três visitas-relâmpago, ou seja, que eu pude ver só por algumas horinhas. Quinta passada foi o Paulo Franco, que trabalhava comigo no Terra e estava de turista. Ontem foram o Kameoka e o Joao, da ECA, ou melhor, do Intervozes. Enfim.

Foi divertido, o problema é que eu estou começando a me confundir... Estou chamando Madri de Sao Paulo a cada dois dias. Fala sério...

Baby-boom

E por falar em visitas, os últimos hóspedes de minha parte na minha casa, a Camis e o Renan, voltaram da Europa grávidos. Vou ter um sobrinho made in Europe. ¿Recuerdo de España?

Esta é uma das quatro crianças filhas de amigas (Chris, Ju, Patybjo) que terao nascido até quando eu voltar pro Brésil ano que vem, a partir do dia 21 de agosto de 2004. Mto loco. Parabéns, amigas! Estou feliz com vocês!!! E pros amigos também, hein? Antes que role uma ciumeira ou qualquer coisa do gênero.



26.11.04


Sentimento do mundo

O blog está totalmente abandonado... Será por que eu continuo sem internet na minha casa?! Viva a Telefónica!!! Disseram que a regiao onde eu moro está sem ADSL...

O que é mais global na Espanha?
. Brasileira que morou nos Estados Unidos, com cidadania italiana
. Brasileira com cidadanias italiana e portuguesa que morou na Dinamarca
. Iraniana-mexicana e neta de ingleses
. Todas essas morando na mesma casa e professoras de inglês

Pois é. Esta é minha casa. Estou toda confusa com meu sentimento de mundo. Isso sem falar nas pessoas do master, que sao de países tao variados como Rússia e Argélia, nos da igreja, da Bolívia, Alemanha ou Estados Unidos, enfim, estou me sentindo meio global.

Talvez seja por isso que eu sonhei trilíngue - português, inglês, castelhano - três noites. E acordei esgotada...

Beijinhos, saudades da vida virtual e dos meus queridos amigos brasileiros.



11.11.04


Histórias alheias

Gente!!!!
Que saudade de todo mundo!!! De verdade...

Mais uma vez, quando minha vida voltava ao normal, minha vida virtual se tornou impossível: tínhamos pedido alta do ADSL, ou seja, Speedy para os brasileños (já tínhamos o tal aparelhinho). Eles nos deram alta, mas mandaram o kit. Não queríamos o kit e, principalmente, não queríamos pagar por ele de novo. Cancelaram nossa internet. Conseguimos resolver, mas a conexão volta só em uma semana.

Enquanto isso, na sala de justiça...

O Dani já é meu vizinho. Vive no 67 da minha mesma rua, e eu no 77. Ou seja, não temos que parar de namorar quando o último metrô vai embora, à 1h30, ou obrigatoriamente dormir na casa do respectivo. Se fosse no Brasil, haveria só um prédio entre o meu e o dele. Aqui, como os números não significam metros percorridos e sim portas passadas, isso significa um quarteirão. Ele divide quarto com o Rapha, meu filho e irmão, da vida e da fé, já citado anteriormente - além disso, ele era meu companheiro de trabalho, mas já não é mais. Também moram lá o Christian (alemão) e o David (español), os dois mega gente finas.

A empresa onde eu trabalho está tramitando meu permiso de trabajo. Ou seja, já serei uma imigrante legal pelo tempo que eu quiser, trabalhando quantas horas me de la gana.

Ontem começaram minhas aulas. Estava com saudade do pessoal e das aulas. Nesses 5 meses de férias, meu amigo venezuelano Ricardo se tornou papai... Voltamos todos iguais, mas mais descansados e, portanto, mais simpáticos e pacientes uns com os outros.

A Camila Carletto, outra amiga brasileira, chegou há uma semana. Nosso grupinho está cada vez mais grupão.

Nossa vida tá muito engraçada. Tenho muitas histórias cômicas para contar, muitas delas presenciadas por meus amigos recém-chegados, que reativam minha curiosidade em relação à cultura espanhola. Não sei se vou dar conta de relatar todas... risos.

Cambio de moneda

Umazinha, presenciada pela Carol no banco Santander Central Hispano:
uma senhora meio surda vai ao banco. Uma fila de umas 5 pessoas. Pede ao caixa (que aqui já é por natureza uma pessoa muito mais enrolada e lenta que no Brasil. Não é redundância, juro):

Sra - Quero sacar 20 mil pesetas.
Caixa - Senhora, já não trabalhamos com pesetas, agora são euros. Seriam 120 euros.
Sra - Euros não, eu quero em pesetas! Sempre recebi em pesetas, quero que vocês me paguem minha pensão em pesetas!
Caixa - Pesetas eu não tenho, senhora...
Sra - Então chame o gerente!!!

A senhora discutiu com o único caixa uns 20 minutos, depois ficou mais uns 40 na mesa do gerente, que tentou convencê-la de aceitar a mudança da moeda. Com o detalhe de que, além de idosa, ela era meio surda, já viu o rolo!!!

Aqui, até os jovens são incapazes de pensar em euros. Tudo nessa vida é pesetas. Como transformar pesetas em euros? Multiplique por 6 e divida por 1000. Saber disso é fundamental para se adaptar à Espanha. Se eles tivessem vivido o Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Real, Real e nem sei se houve alguma outra moeda no meio do caminho, iam ver o que é bom pra tosse!!! Menção honrosa a Ana Alkmim, minha amiga mineira que tinha um ódio mortal desse vício nas pesetas!!!


Bom, já escrevi bastante por hoje, principalmente se se considera que estou num cyber e vou a um show (grátis! uma vez na vida na Espanha!!!) de música portuguesa em 20 minutos. Coisas de Liliana Neves, minha amiga portuguesa que por uma ironia do destino assina exatamente com o mesmo sobrenome que eu...

Beijocas



1.11.04


Universitária

Hoje me deu saudade de ser universitária e nada mais. De acordar de manhã, ler um texto, ir pra USP jogar futebol meio-dia (sim! eu fiz isso por um ano e meio. E depois, capoeira. E depois, Centro Acadêmico, Enecos. E espanhol, e Projeto Redigir também), dormir à tarde na biblioteca, estudar mais, bater um bom papo, fazer trabalhos, voltar pra casa e ouvir:

- Filha, muito bem!!! Aproveita muito essa fase, enquanto você não tem que trabalhar!

Segui os conselhos dos meus pais e aproveitei muito, e aprendi muito.

Hoje estive em Salamanca, cidade universitária desde o século XII, mais ou menos. Naquela época, os nobres sentavam nas primeiras filas, depois vinham os colegiais(que moravam em colégios maiores, as residências universitárias daqui). Os últimos eram os mais sem grana de todos, chamados por algo parecido com "capigorros", que iam cedo esquentar os lugares dos nobres em troca de um dinheirinho.

É uma cidade cercada de glórias universitárias. Conto só mais um costume e vou dormir.

As defesas de doutorado tinham todo um cerimonial. De manhã, o estudante fazia uma promessa pra Santa Bárbara. Depois, apresentava seu trabalho em no mínimo uma hora e no máximo duas. Em seguida saía, ia para o claustro, esperar o veredito do catedrático. Se fosse aprovado, sua família patrocinava uma tourada na Plaza Mayor de Salamanca, e com o sangue do touro, escreviam seu nome e a data da aprovação na parede da Universidade. Essa "lápide" da tese tinha o nome de "víctor" e representava as vitórias do aluno. Seus colegas saíam gritando pelas ruas em comemoração: Victor! Victor! Victor!!!

PS 1 - Camis e Renan estiveram aqui em casa por 3 ou 4 dias. Logo mais conto os passeios e os comentários arquitetônicos da minha prima.

PS 2 - Um registro triste: minha amiga Sheila faleceu nesta semana. Não tenho a menor condição de falar sobre isso, não saberia o que dizer. É estranho sentir essas coisas à distância. Por agora estou orando pelo meu amigo Marquinhos, marido dela.