Da capitá federá
Ou de onde quer que eu esteja

7.11.07


Na linha "em Brasília também tem gente normal"

Brasília lançará campanha de amor à cidade
Do Meio&Mensagem

A capital do Brasil irá lançar na próxima quarta-feira, 7, uma campanha nacional para valorizar a imagem de Brasília tão desgastada pelos inúmeros escândalos de corrupção da política nacional. Com o slogan 'Brasília meu amor', estilo semelhante a campanha 'I Love NY', é uma estratégia de entidades representativas da sociedade civil brasiliense para protestar contra esses casos ao longo dos últimos 47 anos.

A ação é resultado do sentimento de amor à cidade das pessoas que nasceram na cidade ou que foram acolhidos pela cidade, além da indignação devido à imagem dos políticos corruptos misturar-se à imagem da cidade. "Qualquer um que mora em Brasília está sujeito a ser chamado de 'marajá', de 'corrupto' e de outros nomes desagradáveis porque apenas uma pequena parte da população brasileira sabe diferenciar o que é a cidade de Brasília e o que é o núcleo do poder político-governamental federal", avalia um dos idealizadores da Campanha, Fernando Brettas, presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do Distrito Federal (Sinapro/DF).

A campanha prevê ações contínuas e têm caráter permanente, ela deve se somar como esforço concentrado aos que amam a cidade e querem que todos os brasileiros conheçam a realidade do local.



4.11.07


Brasília, ou a arte de fazer chover

Para a maioria dos 180 milhões de cidadãos brasileiros, "Brasília" significa poder, Palácio do Planalto, Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, "hora de Brasília" e pouco mais que isso.

Para aproximadamente 2 milhões, no entanto, "Brasília" significa cidade, cotidiano, vida normal - ou quase. Significa, também, necessariamente, migração - sua própria ou de seus pais, já que a cidade foi construída por ordens de Juscelino Kubitschek há apenas 40 anos.

Esta é a cidade que tem me abrigado e que eu chamo de casa há pouco mais de um ano e meio, e que incrivelmente eu nunca me dediquei de fato a escrever sobre ela neste blog, ainda num momento em que se destinava a falar sobre cidades. Talvez fosse uma resistência a chamá-la cidade. Mas pelo menos devo chamá-la casa.

Não tenho a intenção de contar aqui como foi este ano e meio de vida na cidade, mas sim de passar pelo menos este primeiro relato que resume um pouco desta que aprendi a chamar de realidade, como Novos Baianos fizeram com a minha cidade. É a realidade da seca.

Desde abril deste ano não chovia. Nem uma gota. Nada. A seca com S maiúsculo é uma experiência única de Brasília. Você acorda, vê o sol na janela. E sabe que não há a menor expectativa de cair uma agüinha do céu. E isso começa a durar.

Depois de um mês, começa a esfriar - só um pouquinho, praticamente não dá para usar casaco. E começa a ficar mais seco. A terra vira pó vermelho que suja os sapatos e os carros. A água torna-se elemento de luxo e a garrafinha, melhor amiga dos seres humanos. As plantas que agradecem por ser regadas todos os dias, mesmo que o manual diga "uma vez por semana". O hidratante torna-se obrigatório. A enxaqueca vira companhia freqüente, junto com o sol escaldante, desértico.

E eu compro uma bolsa bem grande (ainda bem que está na moda!) para caber o meu "kit seca":
- água, muita água
- soro fisiológico (para os olhos e o nariz)
- creme para as mãos (e cotovelos, se for o caso)
- remédio para enxaqueca
- óculos de sol, para evitá-la
- protetor solar
- protetor labial
- garrafa de água, dependendo do trajeto a ser percorrido (especialmente se for a pé).

Seca aqui não dá sede. Dá dor de garganta, mal estar, baixa pressão, dor de barriga. Lota hospitais e prontos socorros nessa época do ano. Época que, aliás, demorou a passar.

Os sinais de que a chuva está chegando se tornam reconhecíveis com o tempo. Nesta minha segunda seca, eu já sabia quais eram, e os esperava ansiosamente. As cigarras, por exemplo. Ano passado, infernizaram meu sono desde setembro. Este ano, outubro chegou sem o seu "cri-cri". E aí, chegou a chuva, cinco meses depois. Eu e o Dani fomos buscá-la em Ubachuva, Parati e Angra.

Mas foi só uma chuva - um pé-d'água desses de fim de tarde de verão. Impressionante como as pessoas comemoram. Saem à janela para gritar, se molhar, acreditar. Parecia que o Brasil tinha ganhado mais um campeonato de futebol. E como a natureza agradece! Os gramados e árvores que estavam secos começam a esverdecer já no dia seguinte.

Pois é, passado mais um mês, parece que nunca houve seca em Brasília. Este é o segundo dia que chove sem pena por aqui, como se eu estivesse em uma floresta tropical. O céu, antes azul, agora está constantemente cinza. E da mesma forma que antes, mas ao contrário, sabemos que agora, a perspectiva é de chover, chover, chover. Até fevereiro.

Brasília, terra de exageros, da seca e da chuva!