Da capitá federá
Ou de onde quer que eu esteja

21.7.08


"Mi voto no es positivo. Mi voto es en contra"

Como vocês sabem, trabalho num canal para a integração da América do Sul. Estamos sempre olhando e falando para o que temos em comum. Mas a votação de quarta à noite na Argentina, definitivamente, não está entre elas.

Foi votada a Lei de Retenções, uma lei que pretendia aumentar vertiginosamente o imposto sobre grãos. Para mais de 40% do preço dos grãos. E o vice-presidente do governo da Argentina, Julio Cobos, é ao mesmo tempo o presidente do Senado. Como assim? Como fica a separação dos poderes?

Mas fica bem, né? Tanto que, quando a votação teve que ser desempatada por Cobos, ele votou "segundo sua consciência", ou seja, contra o governo.



E como fica o fato de ele compor o governo, aliás, com o segundo cargo mais importante do pedaço? Os desdobramentos ainda estão começando. Convenhamos, é uma situação bem mais estranha do que quando a base aliada ao presidente Lula votou contra a CPMF. Pelo menos, no caso brasileiro eram pessoas e poderes diferentes os que tomaram as atitudes.

Por outro lado, acho a decisão dele sábia. Afinal, o povo estava dividido em relação à medida, todo mundo nas ruas se manifestando, a votação na Câmara foi apertada e no Senado empatou. Por isso é que o Cobos teria que votar. De tudo isso, só sobra a possibilidade de a Cristina mandar outro projeto de lei.

Ainda não consegui digerir essa informação muito bem... A política argentina sempre me impressionou, desde muito antes de eu trabalhar na área (desde a era Menem, por exemplo, passando por corralitos e panelaços). E continua me impressionando.



20.7.08



Foto: Inhotim


Sudeste

Em 15 dias, passei por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Me deu uma certa nostalgia dos tempos em que eu já estava em Sampa e, portanto, viajar significava sair de lá. Naqueles tempos, eu ia mais ao Rio.

Em BH, além de rever amigos queridos, visitamos o Mercado Central onde, claro, compramos queijos e doces deliciosos. Comemos uma comida mineira de "buteco" e fomos ao bar Pinguim, filial do de Ribeirão Preto.

Indo a BH, recomendo a visita ao Centro de Arte Contemporânea Inhotim, um parque ambiental e centro cultural que fica em Brumadinho, a 1 hora de BH. Lugar ótimo para quem quer passar o dia, ver uma exposição e/ou ir ao parque. Com boas obras de artistas e da natureza, do Brasil e do exterior.

No Rio, estive presente na semana em que a polícia matou uma mulher e uma criança por engano. É chocante você viver uma realidade em que a polícia não significa a sua segurança. E o pior é que não adianta ficar com medo e viver em função dele: sair às ruas é preciso. Fiquei com a sensação de que talvez sair às ruas seja a solução. Mais gente andando a pé, mais iluminação, menos risco. E o mais impressionante é que, sim, apesar de tudo isso, o Rio de Janeiro continua lindo!

Outra coisa interessante é a relação entre os bairros. Li no jornal que a maioria dos candidatos do Rio têm perfil de Zona Sul, mas quem decide as eleições são as zonas norte e oeste. Para quem não conhece o Rio, a zona sul é a região rica da cidade. É interessante, né? Poderia dizer que o fenômeno se repete em outras cidades, como São Paulo, por exemplo. Mas no Rio, o engraçado é que as classes mais altas ficam concentradas à beira da praia. Em São Paulo, há uma região rica em volta da Paulista (Zona Central - ?) e há outras, também, na Zona Sul, Zona Norte, Zona Oeste, Zona Leste. Enfim, espalhado. Sem praia. Ah! A praia!

Por fim, devo dizer que me reconciliei com a cidade natal, São Paulo. Gostei, mesmo, do que sempre gostei por lá. Tem de tudo, inclusive, tem muitos amigos meus. Muitos mesmo. Mui queridos. De muito tempo e de quem sinto muita falta. Quase fiz as malas e fui-me embora.

Mas voltei a Brasília, com tudo o que Brasília tem: céu lindo, seca, minha casinha, trabalho, marido, amigos, um excesso de organização e de burocracias, qualidade de vida (ar puro, pouco trânsito, etc, etc) e ainda alguns desafios. E setores, muitos setores (recomendo a leitura dos posts do Pedro sobre o assunto).



4.7.08


Notícias

#1 – Ingrid Betancourt

Confesso que às vezes me emociona ter a oportunidade de presenciar alguns fatos. A libertação da Ingrid Betancourt foi uma delas. E felizmente, uma boa notícia! Deu uma adrenalina cobrir esse assunto!

Assitam na TV Brasil – Canal Integración, no América do Sul Hoje:

Em Português
Sexta-feira, 20h30.
Reprises:
Sábado: 02h25, 08h20, 14h15, 00h30.
Domingo: 06h25, 12h20, 18h15.

Em Espanhol:
Sexta-feira: 23h
Reprises:
Domingo: 04h55, 10h50, 16h45, 19h30
Segunda-feira: 01h25, 07h20, 13h15


Ou nas TVs Parceiras:


TV NBR:
Sexta-feira, 22h00; Domingo, 18h30; Segunda, 07h30, 12h00

TV Câmara:
Sábado, 13h30; Domingo 09h00; Segunda 09h00 / 22h00

TV Senado:
Domingo 11h30

TV Comunitária BH:
Sábado: 00h00; Domingo: 16h00

TV Comunitária de BSB:
Sábado: 18h00



#2 – “Lei Seca”

De tudo o que saiu na mídia sobre a lei que proíbe qualquer nível de álcool no sangue , o que mais me intriga é algo que eu não vi: como é que as pessoas pensam todas as soluções mais mirabolantes do mundo para dirigir sem beber e ninguém fala que a melhor solução é um bom transporte público?

Em dois anos na Espanha e em passeios por todos os lugares onde o metrô funciona, o carro nem fazia falta! Não acho que isso invalida outras soluções. E tenho consciência de que melhorar uma política pública é mais difícil e demorado do que um bar oferecer para levar o cliente em casa. Mas convenhamos, os cidadãos e cidadãs estão perdendo uma oportunidade e tanta de se manifestar!


#3 – Reserva Indígena Bananal

Um assunto que tem sido muito pouco noticiado, mas que tem relevância para uma cobertura nacional: aqui em Brasília estão querendo construir o Setor Noroeste. Para você que já aprendeu que a capital federal tem a Asa Norte e a Asa Sul, vou complicar seus conhecimentos. Além dessas asas, tem também o Setor Sudoeste, paralelo à Asa Sul, uma expansão prevista no projeto original. Agora estão querendo construir o Noroeste, a última região do Plano Piloto para se construir muitos prédios.

Acontece que existe uma comunidade indígena que mora ali, na reserva Bananal. Eles não são originários do local, mas são de várias comunidades importantes, como Kariri Xocó, Fulni-ô e Tuxá. Eles reivindicam que ocupam o local há mais de 40 anos e querem ficar ali, onde vivem, plantam e abrigam os indígenas que vêm a Brasília, na Funai e outros locais. A população indígena no DF, segundo a Hanuy Pataxó, é de 9 mil pessoas, um número considerável.

Recomendo a visita ao site do Santuário dos Pajés, para conhecer a visão dos indígenas.