Da capitá federá
Ou de onde quer que eu esteja

22.9.09


A busca de fontes

Hoje achamos uma fonte que queríamos - aliás, duas - perguntando. Pra todo mundo que passava pela frente.

Acho isso: jornalista não pode ter vergonha de perguntar.

O melhor é que estamos nós procurando daqui e a Manu, de Brasília. Trabalho em equipe total!!!


Prefeito

Hoje entrevistamos o prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo Mac Donald Ghisi. Ele falou que eu fui a jornalista mais persistente que já o entrevistou. Sim, eu perguntei tudo o que eu queria, e não foram poucas coisas... hehehe. Mas no final ele achou a gente legal e não queria deixar a gente ir embora... risos.


Felicidade Interna Bruta

Fomos a Itaipu, falar de meio ambiente, e tíhamos tudo para dar com a cara na porta. Mas não foi isso que aconteceu, ao contrário: fomos super bem recebidos pelo sr. Nelton Friedrich, diretor de Meio Ambiente, e o Sidney, assessor dele. Eles têm uns projetos de sustentabilidade muito legais, que cuidam não só da água, mas também - e principalmente - das pessoas. Estão todos sob o guarda-chuva do programa Cultivando Água Porã - ou Cultivando Água Boa, em português.

Um projeto novo que está começando é o de Felicidade Interna Bruta. Acho que é um conceito que ainda vai dar muito no que falar, na linha da responsabilidade social empresarial...


Meu próximo idioma

Acho que se eu fosse escolher hoje, falaria Guarani. Aliás, falando nisso. Dizem que tem muitos paraguaios que são atendidos aqui no Brasil e que eles falam mais o espanhol que o guarani, mas hoje foi a primeira vez que eu vi um paraguaio que mal me entendia em espanhol! Foi impressionante!

Foi no hospital. A sogra dele, brasileira, trouxe a neta para ser atendida no Brasil. A menininha de seus 2 anos e meio (linda!) foi picada por uma aranha - e só fala guarani!


Outras pautas

Pauta sempre faz render outras pautas, né? Eu faria uma matéria só sobre documentação, outra só sobre meios de comunicação, outra sobre terras sem lei na fronteira, outra sobre comércio informal e Receita.


Mundo afora

Amanhã vamos a Puerto Iguazú e quinta, a Ciudad del Este. Estou cansada, agora só escrevo em pílulas, já perceberam?

E outra coisa importante: aqui só chove, desde hoje de manhã. Ainda bem que já temos imagens das Cataratas e de Itaipu lá na redação!



O dia mais investigativo da viagem

Ontem foi esse famigerado dia: fomos atrás de uma simples imagem do Aquífero Guarani, que pelo que eu tinha visto em vários sites especializados, deveria aflorar em Ponta Porã, mas não aflora. Ao contrário, está a 800 metros de profundidade. Fizemos imagem do poço que retira água para abastecer a cidade. O rio aflora em São Gabriel do Oeste-MS, a 400 km da fronteira.

Alguns especialistas disseram que afloraria em Bela Vista, a 100 km de Ponta Porã e fronteira com Bella Vista, Paraguai, às margens do Rio Apa. Fomos até lá, com a indicação de procurar o Dr. Zinho, presidente da Câmara de Vereadores. Chegando lá, ele estava num velório e ficou de nos indicar alguém. Ele indicou uma secretária da prefeitura, que por sua vez ficou de mandar alguém e... por fim, não chegou ninguém.

Por sorte, o Velô tinha um velho amigo na cidade, que conseguiu nos indicar um historiador, que conhecia o representante da companhia de água e esgoto. A professora Synara, em Brasília, também tinha me falado desta pessoa, mas não sabia os contatos.

Passou a manhã inteira e muitos "entra! vamos chegar! senta um pouco! quer uma água, um café?" até que finalmente chegamos ao dr. Quico Monteiro! O ritmo do interior do interior é realmente interessante! Eles são todos muito amáveis, tanto que nos atenderam em pleno domingo!

Falou-se de Aquífero, mas não o vimos aflorar.

Já no final da tarde, sem mais sol para irmos atrás de nenhuma imagem, conseguimos descobrir que em uma comunidade indígena tem um poço que a água aflora do chão, pode ser do Aquífero. Mas não dava mais tempo de fazer...


Indígenas de beira de estrada

Bela Vista fica ao lado de um território dos Guarani Kayowá, um povo indígena da fronteira do Mato Grosso do Sul, acho que o que mais sofre no Brasil (recomendo a visita ao site do Conselho Indigenista Missionário - CIMI). Na volta, já à noite, vimos vários deles andando pela beira da estrada, bêbados.

Diz o nosso motorista, Juarez, que é muito comum eles se jogarem na frente do carro e se suicidarem...


Politicamente incorreto

Mais uma vez, em Ponta Porã o pessoal também ficou muito feliz de que a gente não veio falar de desgraça. Mas é importante o registro: neste domingo, quatro pessoas foram assassinadas. Ouvem-se tiros à noite. Dizem que quando tem jogo de futebol importante, é tiro pra tudo quanto é lado. Nos dizem também que a juventude é viciada em cocaína, muito barata por ali.

Mas teve uma pessoa que personificou não essas coisas, mas outras bizarrices que acontecem por ali. Contou, bêbado, que comprou votos de cabos eleitorais e que nunca foi assaltado - e a única vez que foi, ele mandou matar a pessoa. E que quando alguém manda prendê-lo, ele manda uns porcos de presente (para a pessoa desistir da ideia e soltá-lo). Se a metade for verdade, ou mesmo 10%, já é bastante lamentável.



E agora, Foz do Iguaçu

Chegamos à maior das cidades de fronteira que vamos visitar, aliás, acredito que seja realmente a maior cidade de fronteira do Brasil. Mega infra-estrutura, a começar pela hoteleira, que só perde para o Rio de Janeiro no Brasil (estamos num hotel ótimo!!! quarto cheiroso e comida barata e gostosa).

Além da infra-estrutura, também chama a atenção o fato de que as pessoas por aqui não vão e vêm como em Ponta Porã ou em Tabatinga. Os brasileiros moram no Brasil, às vezes passeiam dos outros lados da fronteira.

Hoje fomos na escola de fronteira Adele Scalco, uma experiência que já tem 3 anos. Conseguimos ver mais ainda os benefícios e os desafios deste projeto.

Nesta terça vamos entrevistar o prefeito Paulo Mac Donald, que é 2o vice-presidente internacional da Frente Nacional de Prefeitos. Para ver as demandas dos prefeitos de fronteira. Legal! Além disso, nos espera o secretário de saúde e, quem sabe, uma visita a Itaipu.

La frontera me encanta!



19.9.09


Choque térmico


E o tempo virou na linha de fronteira...

Ontem, finalmente, chegamos a Ponta Porã, depois de 2 dias de viagem. Sofremos um choque térmico de 25 graus, entre os 40 graus de Tabatinga e os 15 de Curitiba, por onde passamos. Em Ponta Porã, estava calor ontem, mas à noite, depois da neblina que vocês podem ver na foto, o tempo virou... Hoje, já estava um friozinho. Paulo e eu estamos à base de vitamina C!

Correria no Brasiguai

Foi o nosso único dia útil na cidade, então a agenda foi tão intensa que eu nem dei conta de escrever no blog!

Só foi possível falar com (quase) todas as fontes oficiais porque tivemos a ajuda do Velocindo, o Velô, do Cerimonial da Prefeitura. E aqui a prefeitura só funciona até 12h30, imaginem a correria!


Velô também nos levou para conhecer a Laguna Punta Porá, onde Ponta Porã e Pedro Juan Caballero (antes, Punta Porá) nasceram

Nos falaram sobre a integração entre brasileiros e paraguaios, que é a realidade de muitas pessoas na sua vida pessoal. Aqui é tudo misturado mesmo. Tem cerca de 15 mil brasileiros que moram no Paraguai e têm direitos aqui no Brasil, mas que não são computados nas estatísticas do IBGE e, portanto, na distribuição de recursos públicos para saúde e educação.

Esses brasileiros, em sua maioria, moram no Paraguai sem uma residência, é tudo informal.


Escolas de fronteira


Esse menino está na linha de fronteira. Ele mora no Paraguai e estuda no Brasil. Para crianças como ele, as escolas bilíngues de fronteira ensinam de forma mais completa sobre esta cultura misturada que eles têm

Visitamos as escolas bilíngues de fronteira do Brasil e do Paraguai. No Brasil, o projeto começou no primeiro semestre, com uma escola paraguaia, mas este semestre será outra escola que vai participar. Fomos visitar essa nova escola, que está numa super expectativa!!!

Os alunos que já participam adoram! Os que vão participar estão numa super expectativa!

A professora Eliana, que coordenou o projeto no semestre passado e nos deu entrevista, falou de como as escolas de fronteira mudaram a visão dela: antes, ela dizia que falava para os alunos que vinham do Paraguai que era "errado" quando eles falavam espanhol. Hoje, ela diz: "falar assim é certo em espanhol, mas em português é desse outro jeito".

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Hoje foi um dia em que fizemos a campanha de vacinação contra poliomielite, em que várias mães que moram no Paraguai trazem as crianças (de cidadania brasileira e paraguaia) para vacinar. Muito bom "encontrar" a vacinação no meio do percurso.


No Jornal Regional

Também demos entrevista para o Jornal Regional e para a Rádio Fronteira, que queriam saber do que estamos fazendo aqui.


O Paulo ganhou um assistente, o nosso motorista, Gonçalves

Fizemos mais algumas entrevistas e imagens. Acho que a série vai ficar bem legal! Temos bastante material!



17.9.09


Meio ambiente e educação indígena

Finalizamos os trabalhos na nossa primeira parada e agora seguimos para uma longa viagem rumo a Ponta Porã/ MS, passando por Manaus, São Paulo, Curitiba e Dourados. É, minha gente! A fronteira é sempre longe do centro e especialmente dos centros de poder, mais ao litoral...

Foi uma experiência muito intensa, que vamos contar com imagens:



Ontem fomos a Umariaçu, terra indígena dos Tikunas, povo da tríplice fronteira. É uma comunidade já bastante urbanizada e cada vez mais, organizada. Eles têm até uma polícia própria, fazendo a segurança da comunidade (não é uma polícia legalizada, e sim como se fosse um sistema de segurança interno). Esse sistema foi criado para evitar que a frente indígena continuasse sendo local de passagem de drogas e para diminuir os índices de alcoolismo no local, e funcionou. Valeria uma pauta a parte...




Fomos lá para conhecer a educação transcultural indígena. Essas crianças estudam a cultura e a língua tikunas e aprendem um pouco de português - têm, no mais, o currículo igual ao "branco". Os professores estão tendo uma graduação especializada, oferecida pela Universidade Estadual do Amazonas. Como vocês podem ver, as crianças se divertiram ao se ver na câmera! Conversamos também com o professor Sebastião, que coordena a licenciatura e nos explicou como funciona a iniciativa.



Já hoje, antes de partirmos para Manaus, demos uma voltONA de barco para ver o trabalho dos ribeirinhos na fronteira com o Peru e como é a fiscalização que o Ibama faz nas águas e terras de fronteira.



Fomos acompanhados do fiscal do Ibama Erland, que nos ensinou e mostrou todo o seu trabalho - só há 2 fiscais no Alto Solimões!!! Nessa foto, estamos numa serraria que foi fechada há um mês.

O mais difícil é que, como as águas são compartilhadas, o Ibama é responsável por fiscalizar só os brasileiros e se os peruanos não fiscalizarem o seu povo, por exemplo, eles podem desrespeitar as regras... e vale lembrar que as regras muitas vezes não são as mesmas. Para saber mais, ouça nA Voz do Brasil e assista no Canal Integración e na TV NBR!




E em Benjamin Constant, cidade ao lado de Tabatinga, a providência divina: um mutirão de documentação, promovido em parceria pelo governo do Estado e o federal. Conhecemos uma senhora agricultora que nunca teve identidade e, aos 72 anos, quer tirar o documento para poder se aposentar. Lindo, né? Eu achei!

Depois voltamos correndo para pegar o voo...

Faltou dizer que ontem entrevistamos também o vice-cônsul brasileiro em Letícia/Colômbia. Ele nos deu um panorama bem interessante das relações exteriores e da cidadania do ponto de vista do local da fronteira, onde esses povos e países se encontram.

Já estou pesquisando sobre os assuntos que vamos ver em Ponta Porã/MS e Pedro Juan Caballero/Paraguai. Tchau!



15.9.09


Saúde na fronteira


No fim do dia, em plena fronteira Tabatinga/BR e Letícia/CO

Hoje avançamos bem nas entrevistas. Foi o primeiro dia útil de trabalho! Foi também o primeiro dia que cruzamos a fronteira rumo a Letícia/ Colômbia.

Entrevistamos o médico da Funasa, dr. Valderi; o secretário de saúde de Tabatinga, sr. Cleudson; o presidente do Conselho Municipal de Saúde, sr. Antônio; a líder comunitária da Pastoral da Criança, sra. Solângela; e o gerente do hospital de Letícia/Colômbia, sr. Joanny, entre tantas outras pessoas.

Pudemos constatar que, realmente, o sistema de saúde em Tabatinga é muito precário, carece de médicos especialistas. Só há especialistas atendendo na cidade no Hospital de Guarnição do Exército, com disponibilidade para a população só Para trazer um especialista de Manaus, custaria cerca de 27 mil reais. Isso pelo mesmo motivo de sempre: Tabatinga é isolada dos centros de decisão do país, está longe inclusive da capital do estado.

Sairia muito mais barato trazer um médico da Colômbia ou do Peru, mas aí esbarramos na dificuldade da convalidação do diploma.

A solução, para as pessoas, é cruzar a fronteira em busca de um atendimento melhor. Conversamos com o sr. Antonio, cuja esposa, peruana, foi procurar tratamento no Peru, em sistema privado, porque não havia como ela ser atendida em Tabatinga. E ela não conhecia ninguém para acompanhá-la no tratamento em Manaus. Conversamos também com a d. Luzia, brasileira casada com colombiano e que prefere o tratamento do lado de lá da fronteira. Por outro lado, muitos peruanos e colombianos vêm para o Brasil, em busca de atendimento de qualidade e gratuito.

Ainda tem a questão do tratamento da saúde indígena e o fato incontestável de que as epidemias não respeitam as fronteiras, sejam em brancos ou em índios.

O mais interessante é que essas cooperações entre os países se dão informalmente e cada cidade fica com o "prejuízo" de ser solidária, em nome da "amistad", mas com mais carências de recursos que a média. Diz o secretário de saúde que as campanhas de vacinação aqui atingem até 120% do total da população. Parece até engraçado, mas é que as pessoas de fora também são vacinadas, se chegam ao posto. E é importante que seja assim, se queremos conter a doença.

Bom, este é um pequeno resumo dentre as muitas coisas que vimos hoje!!!



14.9.09


Ao trabalho!!!

Finalmente, chegamos a Tabatinga ontem. Aqui, temos uma cicerone da Rádio Nacional da Mesorregião do Alto Solimões, a Mislene. Ela tem nos levado a todos os lugares e pessoas para conseguirmos retratar essa realidade da fronteira.

Como chegamos em pleno sábado, pudemos aproveitar para conversar principalmente com o povo e com a sociedade civil.

Mal colocamos as malas no hotel, já saímos para a rua, para ver o barco sair para Manaus. As pessoas reclamam do alto preço das passagens – R$ 170 para quem vai para a capital do Estado. Já de avião para Manaus, custa em torno de R$ 700. Realmente dificulta a viagem.

Leis trinacionais

Ontem, estivemos com os pescadores. O Valmir Barbosa dos Santos, presidente da associação, e o sr. Francisco Oliveira dos Santos, pescador, nos contaram um pouco de como é a relação com os outros países e com o governo brasileiro.


Na sede da Associação dos Pescadores, meu primeiro contato físico com um tucano!

O Brasil é o país que tem uma relação mais rígida, especialmente em relação ao defeso (período em que é proibido pescar, para permitir que o peixe se reproduza e os peixinhos cresçam) e ao respeito ao território indígena. Tem coisas que são proibidas por aqui e permitidas do outro lado da fronteira.

Ainda ontem, cruzamos o Rio Solimões e chegamos ao Peru, à ilha de Santa Rosa. Ali conversamos com o presidente da associação peruana, Félix Ortiz. As associações de pescadores entram em acordo para que o pescador não se limite às águas do seu país e possa ir também às águas do país vizinho. Mas isso significa também que o pescador poderá “flexibilizar” as regras brasileiras pescando no outro país, por exemplo. Uma pergunta para o Ibama...


Cruzando a fronteira do Peru, o Rio Solimões, com Mislene

Santa Rosa é uma cidade bem pobre, não tem nem hospital. Hoje a d. Rosa, agricultora peruana que vendia frutas na feira de Tabatinga, nos contou que recorre ao hospital brasileiro, porque é grátis. Na Colômbia, ela também poderia ser atendida, mas teria que pagar “plata”.


Santa Rosa: casas de madeira, praticamente sem mobiliário!


Cultura de fronteira

É interessante ver, também, como as pessoas bem simples precisam aprender algo do idioma do país vizinho para sobreviver.

Hoje, além de irmos à feira, conversamos com uma família colombiana-brasileira, que nos contou como é viver com a cultura misturada.

A atuação da sociedade
E conversamos com o Padre Valdemir, que nos contou como a sociedade civil (a Igreja, inclusive) tem se mobilizado para trazer desenvolvimento para a região. Eles criaram um consórcio intermunicipal (dos prefeitos), em parceria com o Ministério da Integração, para trazer desenvolvimento público e privado para a região.

Outra coisa importante que o Padre nos falou é sobre a carência de políticas públicas, especialmente para os jovens. Sem opções de lazer e de educação, muitos acabam se envolvendo com o tráfico de drogas.

Aliás, o tráfico é um assunto meio que tabu por aqui. O povo está traumatizado porque uma equipe de reportagem da Record veio aqui recentemente e “só falou coisas feias de nós”. Apesar de que esta é uma questão presente, a maioria das pessoas não está envolvida e se incomoda de ver que é só isso que se fala de Tabatinga em rede nacional.

Causou estranhamento que um colombiano que comprava peixes aqui no Brasil (a maioria dos peixes são vendidos para a Colômbia, o único mercado estruturado por aqui) ficasse tão incomodado porque estávamos fazendo imagens. Dizem que já foi flagrado o transporte de drogas dentro de peixes.

Realmente, as pessoas vão e vêm com bastante liberdade entre as três cidades, o trânsito é livre. Na nossa ida para Santa Rosa, não fomos abordados por nenhum policial, nem do lado brasileiro nem do colombiano. Passamos não só sem mostrar passaporte, mas sem mostrar nenhum documento!

Amanhã é nosso primeiro dia útil na cidade. Aí sim vamos correr para fazer todas as entrevistas! Aguardem mais notícias!!! (apesar de que eu acho difícil conseguir escrever todos os dias, porque geralmente chego exausta! Hoje é que o expediente foi mais curto!)



Problemas técnicos

Pessoal, estou tentando publicar algo por aqui há mais de 12 horas, mas não estava conseguindo chegar à página do blog, porque provavelmente a empresa que o hospeda está mudando suas regras...

O fato é que estamos em Tabatinga, já é nosso terceiro dia, o primeiro dia útil. E o que seria o meu primeiro entrevistado do dia acaba de chegar: vai nos contar a história de sua esposa, uma peruana, em busca de tratamento médico.

Vamos que vamos!



12.9.09


Na Fronteira da Cidadania: começando

Saímos hoje de Brasília para começcar a captação para a nossa série de matérias sobre cidadania nas fronteiras. Da viagem, participam o repórter cinematográfico Paulo Eustáquio e eu. Também participam do Especial a produtora Manoella Cabral e as editoras Priscila Machado (rádio) e Élida Albuquerque (TV).

Nossa primeira parada é Tabatinga, a 1.108 quilômetros de Manaus, a capital do estado do Amazonas. Na fronteira com a Colômbia e o Peru, é cidade gêmea da colombiana Letícia, da qual está separada só por um poste.

Chegar a Tabatinga não é nada simples. Os barcos saem de Manaus três vezes por semana e demoram sete dias para chegar na ida (e três na volta). Os voos são diários, mas a maioria dos dias só tem um voo.

Tudo isso para dizer que tivemos que passar uma noite em Manaus. Paulo e eu aproveitamos para tomar um tacacá da Gisela, na praça do Teatro Amazonas. Neste sábado, seguimos para Tabatinga e Letícia, onde começam, mesmo, nossas investigações.



Nós e o Tacacá



O tacacá em si...


Sobre a série

O objetivo desta série, de quatro matérias, é mostrar como se dá a cidadania nas fronteiras. Em que o fato de estar ao lado de outro país e longe do centro de decisões do seu próprio país interfere nos direitos e deveres das pessoas. Abordaremos principalmente as áreas de saúde, educação e meio ambiente. A realização das reportagens foi patrocinada pela Fundação Avina, através das Bolsas Avina de Invesigação Jornalística para o Desenvolvimento

Ainda em Brasília, tivemos a oportunidade de conversar com o Ministério da Integração, que destacou a importância do desenvolvimento das fronteiras para o Brasil e para a integração regional. Também conversamos como o Ministério da Educação, que destacou o projeto de escolas de fronteira – achei especialmente interessante a necessidade de uma escola adaptar o seu currículo ao do país vizinho, para possibilitar um aprendizado mais completo. E ainda entrevistamos o professor Argemiro Procópio, da UnB, que destacou que essas regiões são altamente carentes da presença do Estado.